Saturday, 16 July 2011

O nosso novo ralador - parte II

Como eu lhes dizia, estávamos em uma loja de artigos de cozinha, em Emilesville, perto de Berkeley.

Resolvi procurar um ralador decente.

A vendedora me ofereceu um ralador in-decente.

Acho indecente pagar 500 dólares por um processador elétrico-eletrônico-computadorizado, para ralar queijo de 15 em 15 dias.

Continuei procurando nas prateleiras. Arlo encontrou o que eu queria. Um ralador manual (que custava 40 dólares, antes dos impostos).

Comprei.

Acho que vou ficar ser feliz, ralando meus queijinhos quinzenais, com essas mesmas mãos que me ajudam a computar, ao invés de ralar queijinhos semanais com um processador de alimentos de última geração que enguiça e que ninguém conserta.

Se o meu ralador manual quebrar, não será muito diferente dos que comprei até hoje no Brasil.

Se funcionar, valeu a procura e a espera.

Eu sempre pensei, 'cá com meus botões': deve haver algum cara neste mundinho de Deus que inventou um método simples de ralar queijos manualmente.

Acho que encontrei 'a maquininha manual' almejada.

Não a descrevo, aqui e agora, para não cansar a beleza de meus leitores.

Quem gosta de ler manuais é o meu amigo Csat (já mencionado em blogs anteriores), morador das imediações da Praça Afonso Pena, na Tijuca, no Rio de Janeiro, que já leu todos os manuais de Linux publicados e por publicar...

A Tania Mara me confessou também outro dia, entre uma paixão com Mark Twain e outra, que também lê manuais.

Descrever um ralador de queijo manual é semelhante a descrever um manual de instruções: "chato pra dedéu" (isto é, MUITO chato).

Vou, só para esnobar, ler o que diz na caixa, do lado de fora, do meu novo ralador: "Rösle, das Werkzeug der Gourmets" (tinha de ser alemão, para inventar coisinha tão prática e, espero, duradoura).

Vamos à inútil tradução desse "trem aí de cima":

Rösle é a marca do ralador (seria mais fácil, para nós, se tivesse um nomezinho mais camarada mas vamos lá..).

das Werkzeug = "a ferramenta"

der Gourmets = "dos gourmets"

Ou seja, não disse nada.

Não disse em alemão, que deve ser "mais chique" (como diz minha filha Sheila) do que não dizer nada em português.

Acabo de ler, no entanto, que tem "5 Jahre Rösle Garantie", isto é, "garantia Rösle de 5 anos". Não deve ser pouca porcaria.

Quem me escrever, ou telefonar, ou telegrafar, depois das férias, vai saber se o ralador aprovou, ou se terei de ir à Alemanha proximamente, pedir a devolução (total ou parcial) dos meus 40 dólares...

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