
O Assis trabalha na área de Sistemas de Embalagens para Alimentos, na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), como professor titular, e seria importante para ele localizar o Instituto de Nanotecnologia da Universidade de Berkeley.
Resolvemos, então, ao entrarmos no campus da universidade, procurar o tal do Instituto de Nanotecnologia.
Chegamos a uma das entradas do campus, perguntei pelo setor de informação, disseram-nos onde era, para onde deveríamos nos dirigir, ou seja, qual era o setor de informação aos estudantes do campus mais perto dali.
Era bem pertinho. Fomos ao prédio, Tania e Assis ficaram procurando nos computadores que ficam bem pertinho da entrada, fui à sala 101, onde se dizia estar o serviço de informações.
Cheguei na sala 101 e a antesala estava vazia. Eu ouvia vozes bem pertinho. Fiquei constrangido de interromper o papo dos funcionários, cujas vozes eu quase conseguia ouvir bem. Pigarreei, como acredito que John Wayne o faria, se em situação semelhante estivesse. Ninguém me ouviu, ou ninguém reagiu a meu pigarrear. Limpei outra vez a garganta, dei passos meio barulhentos e óbvios na tal antesala, quase estiquei o pescoço para dentro da tal salinha de onde ouvia vozes mas, de certo por ter sangue nordestino (meu pai era de Natal, RN), não tenho pescoço de girafa, muito pelo contrário.
Diria que meu pescoço é até normal mas, sei bem, o gaguinho nem sempre se vê gagão, como podemos comprovar pela filme do Rei George da Inglaterra que andou passando aí no Brasil. Mas, pelo menos, ele se tratou com aquele 'fisioterapeuta da fala' (esqueço-me do nome técnico), ao contrário dos que têm pescoço defeituoso (comprido ou curto demais) que não conseguem melhorar nada e precisam se conformar com este fato.
Descobri, neste meu rodeio e leve 'esperneio' pela antesala da sala 101, que havia vários mapas do campus destacáveis para os turistas. Destaquei duas folhas (uma para mim e outra para Tania e Assis que estavam no computador da entrada do prédio).
Sentei-me no degrau de uma escada bem próxima, com meu mapinha, Tania ao computador, conversando com algum eventual cidadão americano que se aproximava do outro computador ao lado (só havia 2 computadores ali na entrada).
Assis, ali de abutre nela, opinando, tentando ajudar (e conseguindo atrapalhar um pouco, imagino). Tania, muito paciente e doce, procurando o tal Instituto de Nanotecnologia. Eu, concentrado no meu mapinha.
Tania usava o Google Maps, o mapa do campus computadorizado, a Wikipédia, Trikipédia, o gingado japonês, a informação do americano no outro computador. Nem o Google, que sabe tudo, nem o Troogle, encontravam o tal instituto.
Mistério.
E eu, no meu degrau ali perto, sem saber bem o que ocorria, só ouvindo a voz trovejante do Assis, que mandava isso e aquilo, como os homens bem o sabem fazer.
Tania Mara não se perturbava, pois filha de japoneses (o pai dela nasceu na Manchúria, minha gente!), nunca nunca se perturba. Nem terremoto nem tsunami, nem mesmo o Assis conseguem desconcentrar a Tania, que furiosamente digitava, em vários mecanismos de busca, a procura pelo Instituto de Nanotecnologia.
O tempo todo procurava eu, em cada milímetro quadrado e cúbico do tal mapinha, o Instituto de Nanotecnologia. A sala 101, de informações sobre o campus, ficava meio longinha e eu achava que não deveria volta lá, porque acreditava que a procura da Tania poderia ter resultado a cada segundo.
E nada.
E eu dissecando o tal mapinha (que não era tão 'mapinha' assim, como muitos já devem estar imaginando, já que universidade americana nunca é pequenininha, ainda mais que a Universidade de Berkeley tem um número "pra lá de 30.000 estudantes", como me disse ontem Speedy, a namorada do Arlo. E ela nunca mente, por ter doutorado em Nano-bio-computo-tecnologia.
Depois de uns 15 minutos (que mais pareceram 15 horas), Tania concluiu que o tal instituto funcionava no Hearst Building, que é sede do Departamento de Materiais (ou coisa que o valha). Se vocês não se sentem confortáveis dizendo a palavra "Hearst", acreditem em mim, ninguém se sente. Ninguém do lado de lá do Equador, deixe-me esclarecer.
Já fui casado com uma pessoa que queria chamar a filha dela de "Kirstin", outro nome complicado para brasileiros. Felizmente minha filha virou 'Sheila Elizabeth' (ao invés do impronunciável "Kirstin", pois se 'Kirstin' fosse viraria 'Quistin' para os colegas, ou coisa assemelhada).
Resolvemos procurar o tal prédio, de nome meio complicado para brasileiros (=eu), japoneses e/ou nisseis (Tania) ou mineiros (Assis). O americano do computador ao lado nos ajudou bastante. Mostrou no mapa, saiu do prédio conosco, disse "caminhem até o relógio alto, virem à esquerda, depois à direita, não se distraiam com a menina que pode se aproximar de esguelha, concentrem-se, o prédio estará logo adiante de você, quando dobrarem a quinta esquina, atrás das palmeiras imperiais" ("ué, eu pensava que em Berkeley não havia dessas plantas?!!" -- em verdade não as há, Caro Leitor, fui envolvido pela narrativa e 'escorreguei' na botânica).
Achamos o prédio, tiramos fotos do Assis em frente do prédio. Tiramos fotos do imenso hall de entrada do prédio (incluirei uma foto do magnífico hall, em 'post' futuro), fotografamos um roteiro de como chegar à sala 348 ou 350 do prédio (vide 'post' anterior, chamado "Uma placa curiosa", onde relato complicação semelhante,).
Desistimos do Instituto de Nanotecnologia, que deve estar nanotecnologicamente escondido em algum outro prédio do campus.
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