Saturday, 9 July 2011

As residências estudantis daqui...


Por favor, não me entendam mal: nenhuma residência estudantil terá, jamais, o nível de organização, limpeza, conforto, de uma casa brasileira-com-certeza!

Fui tomar café.

É muito complicado ir para uma cozinha (em alvoroço, por causa da reforma do fogão) de 30 ou 40 pessoas.

Há comidas e comidas e comidas e é preciso encontrar copos, faca, tijelas, para comer as coisas do café da manhã.

É infinitamente mais fácil, beber suco de maçã, na garrafa, do que procurar, em uma cozinha enorme, onde está um copo, que você terá de lavar, depois de usar (lavar onde, com que sabão, em que pia? Há várias pias. A pia principal sai um jato d'água fortíssimo, que espirra água a 'quilômetros de altura' e não há regulagem, não dá para espirrar pouca água).

Desisti de tomar café.

Para que tomar café? Para descobrir uma xícara, descobrir onde está o coador, descobrir como se liga um fogão enorme SEM CHAMA PILOTO! Foi muito, muito mais fácil ficar sem tomar café.

Comprei café no supermercado ontem. Botei o saquinho de pó de café no lugar das dezenas de saquinhos de chá, café, pimenta, noz moscada, açúcar demerara.

Acho que, mesmo que eu tentasse, não acharia o tal saquinho de pó que comprei; ainda bem que não dá para achar...

Tudo aqui, para os padrões de arrumação e de limpeza brasileiros, é muito pior.

Uma mulher brasileira, dona de casa, de classe média, acho que teria horror de ficar aqui.

Há muitas complicações inesperadas: as geladeiras são enormes (para 40 pessoas), tudo é, para um brasileiro de classe média, "bem bagunçado".

Mas funciona.

Só que tem que adaptar.

Tudo que você bagunça, tira do lugar, suja, tem de arrumar, botar no lugar, limpar, pensando nos outros 39 residentes que não deveriam ter o ônus de trabalhar para o seu conforto.

Vida em comunidade, para quem não está acostumado, é complicada.

Existe tudo nesta casa.

Mas você não pode passar o dia perguntando: empresta uma tesoura, explica isso, mostra aquilo, dá isso, aluga aquilo.

Tem de descobrir como funcionam as coisas. Não dá para passar muito tempo perguntando, apesar da extrema boa vontade dos residentes.

Arlo pendurou uma bandeira do Brasil na porta do meu quarto. Para que eu possa me localizar mais facilmente.

A princípio, tudo é muito igual. As portas são muito parecidas. Então, a bandeira do Brasil na porta facilita muito a minha vida.

Esqueci de dizer a ele que não eram precisas mais 2 bandeiras do Brasil ENORMES dentro do quarto.

Mas o Arlo é brasileiro-americano-nipônico (pai brasileiro, mãe americana neta de japoneses) e ele sabe melhor do que eu como há de decorar o quarto dos seus hóspedes...

Obrigado, Arlo, por me fazer bem-vindo.

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