Thursday, 21 July 2011

No meio de um tiroteio...

Parece até brincadeira: ficamos "no meio" de um tiroteio.

Estávamos no Civic Center (uma praça grande, onde fica o prédio da prefeitura de San Francisco) e começamos a caminhar por uma rua, aparentemente calmíssima, com belas árvores frondosas e um ambiente "super família", como alguns descreveriam o ambiente.

Quase ouvíamos os pássaros cantando odes de civilização e paz.

De repente, avistamos dois jovens (entre 20 e 30 anos, um deles bastante obeso), com jeito de "uma possível marginalidade". Atravessamos a rua, para não passarmos muito perto dos jovens, pois habitantes do Rio de Janeiro o que mais fazem é atravessar e des-atravessar ruas, quando caminham pelas calmíssimas ruas da 'cidade maravilhosa'...

Após caminharmos mais uns 10 metros, do outro lado da calçada, comecei a ouvir tiros e vi uma pessoa correndo e se escondendo, cerca de 20 metros à nossa frente. Quando os tiros começaram (eu diria que foi um total de uns 8 a 12 tiros, em ritmo "rápido e rasteiro", como soe acontecer em filmes de faroeste), Angela pensou que estivéssemos presenciando alguma comemoração de 4 de julho, independência americana. O tal sujeito que pulou no chão à nossa frente nos demoveu, rapidamente, da hipótese comemorativa para o barulhinho de tiros que ouvíamos.

Voltamos, meio assustados, entramos em uma oficina. Vimos e ouvimos os dois rapazes, a quem tínhamos evitado a nobre e construtiva companhia, comentando animadamente o ocorrido e apontando para o local de onde se originou o tiroteio.

Por via das dúvidas, guardei a máquina de fotografia que estava pendurada no meu pescocó, por convite exortativo de minha querida esposa Angela Maria. Eu diria até que o convite que ela me fez foi mais com jeitão de ordem do que de gentil solicitação mas não a culpo, nas circunstâncias.

Só nos surpreendemos um pouco, na terra do Tio Sam, na maravilhosa San Francisco, em "rua família", cercados de pássaros, árvores frondosas, cidadãos do bem e pagadores de seus impostos, termos sido acometidos de uma cena de faroeste, com gente correndo à nossa frente (Angela chegou a me afirmar, a horas tantas, que tinha avistado o Clint Eastwood, caminhando em nossa direção; acho que ela exagerou um pouco...).

Retrocedemos da direção aonde nos dirigíamos, perguntamos a um segurança de um prédio, fomos aconselhados a, se quiséssemos táxi, procurá-lo perto de um hotel. Assim o fizemos, fomos à Alamo Square, uma praça com casinhas lindas, estilo vitoriano.

Fotogramos as casas e batemos em retirada.

Não conseguimos deixar de imaginar, como teria sido curioso, se tivéssemos sido atingidos por uma bala perdida, vindos do Rio de Janeiro, em plena San Francisco.

Já imaginaram como seria a manchete dos jornais de amanhã aí no Brasil:

VELHINHO BRASILEIRO, ACOMPANHADO DE SUA PRINCESA, VISITANDO SAN FRANCISCO, É ATINGIDO NA ORELHA ESQUERDA POR BALA PERDIDA. ELE FOI ATENDIDO NA EMERGÊNCIA DO HOSPITAL GERAL DE SAN FRANCISCO E PASSA BEM.

3 comments:

  1. Fui lendo o seu post com a sensação de um romance western. "O que será que vai acontecer?" E fiquei frustada por não saber o final, se o bandido foi preso, se o mocinho venceu. Só fiquei super feliz de saber que vocês estão ilesos e irão jantar com seu amigo. Afinal a sua persistência venceu.

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  2. Mas não fique triste...nada se compara aos efeitos pirotécnicos dos bueiros cariocas...inclusive já há rumores de que profissionais de hollywood estão atentos para adquirir a tecnologia...

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