Thursday, 14 July 2011

Um falso alarme contra incêndio

Hoje, aqui na residência estudantil (isto é, no The Convent), houve alarme contra incêndio, às 4 da manhã.

Quando há alarmes deste tipo, todos os residentes têm de sair do prédio e se reunir no estacionamento, que fica em frente à minha janela.

Minha janela fica com as cortinas permanentemente abertas e fico 'vendo Berkeley' daqui.

Custei muito a entender o que estava acontecendo, porque eu tinha, pela primeira vez desde que cheguei, posto o despertador do meu celular Galaxy (recém comprado) para me despertar às sete e meia da manhã. Eu saí da cama, sem roupa, porque (de novo, pela primeira vez desde que cheguei) resolvi, excepcionalmente, dormir sem roupa. Quando desço da cama, tipo beliche, onde durmo, se estou sem roupa, os residentes que já tenham saído de casa e que se encontrem no estacionamento, verão que tem um velho louco pelado dentro de casa.

O meu grande problema/conflito é que eu não entendia que estava havendo um alarme vindo de outro lugar, então eu passei cerca de 5, ou 7, ou 10 longos minutos procurando, dentro do meu próprio quarto, o que poderia estar causando aquele barulho todo. Era um barulho infernal, altíssimo.

Claro, eu sempre achava que era o meu celular Galaxy que estava fazendo aquele barulho absurdamente alto. E eu pensava, cá com os meus botões, o tempo inteiro: "como os celulares modernos têm campainhas fortíssimas..!"

Ontem falava eu das maravilhas da indústria japonesa, fabricante da máquina de fotografia digital Nikon.

Hoje, pensava eu, quem está de parabéns é a Coreia, fabricante do celular com o alarme mais forte do mundo.

Ou seja, os japoneses são muito, muito inovadores. Mas ESSES COREANOS......!!!!!

Afinal, resolvi desligar o Galaxy mas, mesmo assim, o barulho ensurdecedor continuava. Eu colocava o Galaxy no ouvido, bem pertinho, para entender por que ele não parava de despertar. E eu pensava: estou acordando todos os residentes da casa com esta balbúrdia toda, que coisa mais deselegante!!

Depois de mais de 5 minutos, talvez 10, chegou o Arlo ao meu quarto e disse: saia agora. Eu tinha acabado de me vestir, estava de camiseta e de calção, descalço. Saí do prédio, com uma temperatura de aproximadamente 15 graus, de camiseta e descalço. Ficamos todos reunidos no estacionamento, de onde se via perfeitamente a janela do meu quarto. Da janela do louco sem roupa.

Ninguém me perguntou "você dorme sempre pelado mesmo?!". Todos estavam meio sem saber o que fazer, de pijama, de camisola, esperando o corpo de bombeiros chegar e desligar o alarme. Isso demorou mais uns 20 minutos. As pessoas não entendiam por que os bombeiros não chegavam logo.

No alarme anterior, disse-me o Arlo, os bombeiros chegaram em 2 minutos e era durante o dia, não de madrugada. Dessa vez eles levaram talvez 20 minutos para chegar.

Se há um alarme contra incêndio e algum residente permanece dentro de casa, a residência enfrenta um grande problema legal, já que, claro, ninguém pode ignorar/desobedecer um alarme desses.

Ninguém ficou sabendo o que ocorreu. Quem sabe depois a gente descobre. O Arlo vai me contar, se ficar sabendo.

Ninguém foi informado nada, por que o alarme foi falso, se foi falso (só pode ter sido, pois não havia incêndio, nem terremoto).

Fiquei uns 20 minutos, do lado de fora do prédio, de camiseta, com uma temperatura de 15 graus. Felizmente, ao sair do quarto, levei o tênis nas mãos e pude calcá-los.

Eu nunca antes tinha vivenciado um alarme contra incêndio.

Quando eu estava saindo do prédio, com frio, eu achava que talvez pudesse estar havendo uma simulação de terremoto. Achava que podia ser uma simulação, não um terremoto de verdade, porque nada tremia. Somente eu, tremia de frio.

Voltamos para dentro do prédio uma meia hora depois do falso alarme de incêndio.

Por que o falso alarme?

Ninguém sabe mas o Arlo acha que pode terem sido as obras de reforma da cozinha. Os 'engenheiros da cozinha' (ou os trabalhadores que estão cuidando da instalação do novo fogão aqui da residência estudantil, que estiveram trabalhando na cozinha ontem)devem ter acionado algum alarme por engano, que disparou às 4 da madrugada.

Ainda bem que isso aconteceu nas férias escolares, quando há menos residentes por aqui. E quando estamos no verão.

Acho que este alarme no inverno seria bem pior.

Não achei confortável, ter ficado de pé, uns 20 ou 25 minutos, de camiseta e calção, esperando o corpo de bombeiros chegar. E olhando para a janela do meu quarto, pensando: "será que esse pessoal todo viu o velho louco pelado, descendo do beliche"?!

Acho que nunca saberei o que realmente ocorreu, em parte porque não teria como chegar para os residentes e perguntar, um a um: "vocês me viram descendo do beliche, no pelo, enquanto estavam reunidos aqui no estacionamento?!"

"The least I can say" é que, ao menos, pude escrever um post diferente.

2 comments:

  1. Felizmente, acho que você já tinha vestido de cueca quando todo mundo chegou embaixo para acompanhar o seu show!

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